10 fatos sobre o Queen que vão da lareira à ficção científica
Demos pagas com barulho, uma viagem espacial em forma de folk, acordos de composição e um jogo de cinco CDs: dez histórias além dos refrões.
Você já sabe o refrão. Mas por trás dele pode haver uma guitarra feita em casa, uma multidão montada no estúdio ou um diretor de cinema que pediu uma música e saiu com muito mais.
Estes dez fatos passeiam pelas escolhas e pelos bastidores do Queen, dos primeiros instrumentos ao catálogo transformado em jogo. As fotos, capas e registros pertencem às histórias citadas; quando a imagem é de outra época ou apenas ilustra o assunto, o texto avisa. As reações do Caramelo são comentários de um cachorro que se acha crítico musical.
1A guitarra do Queen começou numa lareira
Antes de existir Queen, Brian May e o pai, Harold, começaram a construir a Red Special em 1963, trabalhando nas horas livres com ferramentas manuais. O braço veio de uma peça de mogno da moldura de uma lareira que um amigo ia descartar; o instrumento também ganhou peças reaproveitadas de bicicleta e moto. A foto mostra Brian com a guitarra em 1977: uma invenção doméstica que já tinha virado ferramenta de trabalho.
Vintage Guitar — entrevista com Brian May2As primeiras demos foram pagamento por fazer barulho
Entre novembro de 1971 e janeiro de 1972, o Queen ajudou a testar equipamentos e a acústica do novo complexo De Lane Lea, em Wembley. Em troca, saiu com cinco demos, incluindo “Keep Yourself Alive” e “Liar”, sob a supervisão do engenheiro Louie Austin. Elas serviram para apresentar a banda às gravadoras. A imagem é do lançamento dessas gravações em vinil no Record Store Day de 2025; o teste de som tinha acontecido mais de cinquenta anos antes.
Queen — Brian May e Roger Taylor contam o início das gravações3A pose de “Bohemian Rhapsody” veio antes do clipe
Os quatro rostos saindo do escuro já estavam na capa de Queen II, de 1974. O fotógrafo Mick Rock contou que mostrou a Freddie uma imagem de Marlene Dietrich em Shanghai Express, filme de 1932, como referência de pose e iluminação. Freddie abraçou a ideia. Brian May confirmou que aquela sessão, com uma única luz acima do grupo, inspirou parte do visual do clipe de “Bohemian Rhapsody”, lançado no ano seguinte. O enquadramento famoso já tinha uma vida anterior no vinil.
Mick Rock — relato sobre a fotografia de Queen II4“’39” é uma viagem espacial disfarçada de folk
Em A Night at the Opera, de 1975, Brian May compôs e cantou “’39” com uma história de ficção científica por trás do violão. Viajantes partem em busca de outros mundos, perto da velocidade da luz, e voltam tendo envelhecido um ano, enquanto cem se passaram na Terra. É a dilatação do tempo transformada em perda e reencontro impossível. May explicou o enredo em entrevistas; não se trata de um relato histórico de 1939. A foto mostra o músico falando sobre a missão New Horizons em 2018, décadas depois da gravação.
Brian May à BBC Radio 1 — Guitar Greats, transcrição da entrevista de 19835A multidão de “We Will Rock You” nasceu com poucos pés
As pisadas e palmas da gravação de 1977 não vieram de um estádio lotado. Segundo Brian May, o grupo pisou em tábuas no estúdio Wessex, e as gravações foram sobrepostas com pequenos atrasos para multiplicar a sensação de gente tocando junta. A versão original não tem bateria. A ideia era oferecer à plateia algo que ela pudesse executar mesmo espremida num show: bater os pés, bater palmas e cantar. A foto é da turnê de News of the World, não da sessão que criou a percussão.
Brian May — bastidores de News of the World6O “sem sintetizadores” ganhou data de validade
Nos anos 1970, o Queen fez questão de avisar em discos que não usava sintetizadores: sons que pareciam eletrônicos podiam ser camadas de guitarra e trabalho de estúdio. Em The Game, lançado em 30 de junho de 1980, a banda mudou de ideia e anunciou a estreia de um Oberheim OB-X. Ele já aparece na abertura de “Play the Game”. A foto mostra um exemplar do modelo, não o instrumento específico usado na sessão. O aviso antigo era uma escolha daquela fase; não uma promessa eterna.
Queen — a mudança de som em The Game7Highlander pediu uma canção e recebeu seis
O diretor Russell Mulcahy levou cerca de vinte minutos de cenas montadas de Highlander ao Queen, esperando conseguir uma música. Segundo ele, a primeira resposta foi uma oferta de cinco; no filme de 1986 acabaram entrando seis faixas da banda. Em vez de lançar um álbum que fosse apenas a trilha, o grupo juntou essas músicas a outras em A Kind of Magic. A capa reproduzida aqui identifica esse disco. “Who Wants to Live Forever” nasceu da reação de Brian à história do imortal que vê a mulher envelhecer.
Queen — Russell Mulcahy e Brian May sobre Highlander8Em The Miracle, a assinatura virou coletiva
No álbum The Miracle, de 1989, todas as músicas passaram a levar o crédito de composição do Queen como grupo, independentemente de quem tivesse trazido a ideia principal. A divisão igual dos royalties também ajudava a tirar da frente as disputas sobre qual música viraria single. A capa de Richard Gray, que funde os quatro rostos, dava forma visual a essa união. O acordo não significa que cada integrante escreveu a mesma quantidade de cada faixa: é preciso separar o crédito combinado do processo de criação.
Queen — créditos, royalties e capa de The Miracle9A troca de voz em “Mother Love” guarda uma ausência
Em “Mother Love”, lançada em Made in Heaven em 1995, é Brian May quem canta a última estrofe. Freddie Mercury havia deixado sua parte incompleta nas sessões finais de 1991. Brian contou que escrevia trechos e os apresentava a Freddie, que gravava enquanto conseguia; ele planejava voltar para terminar e não voltou. A mudança de cantor preservada no disco faz parte dessa história. A imagem mostra a sala de controle do Mountain Studios, em Montreux, fotografada em 2014, não uma sessão com Freddie.
Brian May — como escreveu e gravou Mother Love com Freddie10O catálogo virou um jogo de cinco CD-ROMs
No fim dos anos 1990, Queen: The eYe levou a música da banda a uma aventura para PC: num futuro repressivo, redescobrir o rock coloca o protagonista em perigo. O jogo foi desenvolvido pela Destination Design e publicado pela Electronic Arts. A edição de cinco CD-ROMs trouxe gravações do Queen retrabalhadas para a experiência, com remixes creditados a Joshua J. Macrae. O scan dos discos registra copyright de 1998. A captura mostra o mundo do próprio jogo: não era um simulador de tocar guitarra.
Créditos de Queen: The eYe — registro da edição para DOS
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